Edgar Allan Poe, O Mistério de Marie Rogêt (Porto Alegre, RS: L&PM, 2013)
"Não podemos perder de vista que, em geral, o propósito dos nossos jornais é mais causar impacto – para provar seu ponto de vista – do que promover a busca pela verdade. Este fim só é seguido se parece coincidir com o primeiro. O periódico que adota opiniões triviais (não importa o quão bem-fundamentada seja tal opinião) não conquista nenhum respeito com o povo. As massas consideram sério somente aquele que sugere contradições pungentes à ideia geral. No raciocínio, assim como na literatura, é o epigrama que é mais imediata e universalmente apreciado. Em ambos, recebe a mais baixa ordem de mérito." (p. 23-24).
"Ele achou sagaz papagaiar a conversa fiada dos advogados, os quais, na maioria, contentam-se em matraquear preceitos intransigentes nos tribunais. Eu gostaria de salientar que muito do que é rejeitado como evidência em um tribunal é a melhor das provas para a inteligência, pois o tribunal, guiado por princípios gerais já reconhecidos e registrados, rejeita guinadas em casos particulares. E essa rígida aderência à lei, com inflexível desconsideração de exceções contraditórias, é um modo seguro de abarcar o máximo de veracidade possível em qualquer sequência de tempo. Tal prática, aplicada universalmente, é, portanto, filosófica, mas nem por isso deixa de engendrar vastos erros individuais." (p. 33-34)
"A opinião pública, sob certas condições, não deve ser desconsiderada. Quando surge por si mesma - nas ocasiões em que se manifesta de maneira estritamente espontânea - devemos considerá-la análoga à intuição característica dos formadores de opinião. Em 99 casos entre cem eu acataria seu julgamento. Porém é importante que não se encontrem rastros de sugestionamento. A opinião deve ser rigorosamente a do público. E muitas vezes é difícil perceber e sustentar tal distinção." (p. 43-44).
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