Moacyr Scliar (Rio Grande do Sul) - A Festa no Castelo (Porto Alegre: L&PM, 2001)
"O sapateiro era comunista.
Pelo menos era o que diziam dele, na minha rua: que era comunista. E diziam isso por causa das ideias dele, conhecidas de todos. Não hesitava em expô-las a quem quer que viesse a sua pequena sapataria: era pela justiça, pela igualdade, pela liberdade; contra a tirania, a opressão, a exploração do homem pelo homem." (p. 8)
"Deblaterava contra a fome, contra a miséria; contra o luxo e a ostentação, contra a cupidez e a insensibilidade dos ricos, contra a arrogância dos poderosos. Não era, pois, de admirar que muitos o considerassem comunista." (p. 9)
"De que maneira explicar súbitos e sentidos prantos, às vezes no meio da noite?" (p. 18)
"Em 1963, já ouvira falar em reformas de base; diziam que a terra deveria pertencer a quem trabalhava nela, e eu achava isso justo." (p. 20)
"(Nicola partia do princípio de que livros eram objetos passíveis de justa expropriação.)" (p. 21)
"Mas era isso, era justamente isso: era a burguesia, era a incapacidade burguesa para o verdadeiro amor, para tudo que não fosse leviano e frívolo." (p. 26)
"Referia-se à sina dos revolucionários, daqueles que um dia sonharam mudar o mundo ou pelo menos ousaram pensar diferente: Galileu aprisionado pela Inquisição, Marx perseguido pela polícia, Jean Jaurès assassinado." (p. 39)
Comentários
Postar um comentário